A história do Pombo-correio

Por Gabriela Grigoletto e Rafaela Pires

O pombo-correio não leva uma mensagem espontaneamente a um determinado destino, como muita gente pensa. Ao invés disso, ele é transportado de seu local de origem até um certo ponto de partida, de onde ele saberá como retornar à sua casa.

“É um mecanismo natural que ele tem. Trata-se de uma estratégia adaptativa, ou seja, um resultado da seleção natural. Alguns animais são nômades, outros, migratórios. Já os pombos-correio possuem uma moradia fixa e procuram sempre voltar para esse abrigo, onde encontram proteção, alimento e os membros de seu bando”, diz o professor Ronald Ranvaud, que ministra as disciplinas de Neurofisiologia e Ciências Cognitivas no Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

“Na etologia, que engloba os estudos de comportamento, isso é chamado de fidelidade ao sítio de origem”, complementa. Ele conta que, além dessa característica, esses animais apresentam também um comportamento gregário, o que significa que não são solitários e, por isso buscam estar sempre juntos a um bando.

Os pombos-correio são da mesma espécie dos pombos comuns que se veem nas ruas, mas pertencem a uma raça diferente. Seu porte é maior e possuem uma carúncula mais acentuada na base do bico. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, eles foram bastante utilizados para o envio de mensagens, como um recurso alternativo de comunicação. “Documentos da época mostram caminhões que serviam como pombais móveis.

Mesmo que eles fossem levados a lugares diferentes a cada dia, desde que não muito distantes do local de origem, os pombos conseguiam voltar”, conta o professor. Ronald explica que as mensagens ou encomendas são geralmente amarradas na perna do animal, ou colocadas em um tipo de mochila especial. Hoje em dia, essas aves ainda são utilizadas como mensageiras.

“Até recentemente, o exército russo mantinha uma ‘divisão’ para pombos-correio. Na Inglaterra, há cerca de dez anos, um hospital os usava para levar amostras ao seu laboratório, por ser um transporte mais rápido, que não precisa enfrentar o trânsito. E faz parte do folclore que elas também sejam usadas no contrabando de drogas e diamantes”.

Mas não é qualquer pombo que se pode usar como mensageiro. Se pegássemos um exemplar na rua e o levássemos para um local desconhecido, ele provavelmente conseguiria voltar para casa – mas existe uma limitação. “Se o animal for afastado cerca de 15 km de onde vive, por exemplo, ele certamente saberia encontrar o caminho de volta. Mas se essa distância exceder uns 50 km, ele dificilmente voltaria, pois precisaria ter um porte de atleta”, diz Ronald Ranvaud.

Por isso, os pombos-correio são treinados desde pequenos a voar longas distâncias para ganhar resistência e não se perderem. O treinamento começa a ser realizado a partir do momento em que o animal aprende a voar, geralmente aos 30 a 45 dias de vida. “Inicialmente, ele faz voos livres todos os dias, não se afastando muito do pombal. A partir dos três meses de idade, já se pode afastá-lo uns 30 km de sua casa que ele saberá voltar”, conta o professor. Aos poucos, as distâncias vão aumentando e as direções para onde é levado também são diversificadas. “Cada uma dessas ocasiões representa um aprendizado”, explica o professor.

Para se guiar no caminho de volta, os pombos possuem três habilidades fundamentais: a visão, pela qual localiza o Sol e identifica sua posição (leste, oeste e norte); o relógio interno, por meio do qual identifica o período do dia (manhã, meio-dia, tarde, noite); e a memória, que ele utiliza para aprender a relação entre a posição do Sol e o horário. “O Sol muda de lugar ao longo do dia: de manhã, indica o leste; ao meio-dia, o norte (no hemisfério sul); de tarde, oeste. Funciona como uma bússola”, diz Ronald. “Mas para usar o astro como bússola, é essencial ter um relógio para saber qual a sua posição a cada hora do dia”.

Para comprovar a importância dessa relação, o professor cita um experimento onde um pombal é colocado dentro de um laboratório sem janelas durante uma semana. A luz é ligada todos os dias na posição onde nasce o Sol, mas com seis horas de atraso, ou seja, ao meio-dia, e desligada também seis horas depois que ele se põe, à meia-noite. “Se depois disso, o pombo for levado a uma distância pequena e liberado ao meio-dia, a ave vai olhar para o Sol e achar que são seis da manhã, porque seu relógio interno está atrasado. Então interpretará que a posição indicada pela luz é o leste, quando na verdade é o norte. Então é como se ele virasse o mapa 90 graus para a esquerda”, comenta. Apesar disso, alguns conseguem voltar, mesmo que levem alguns dias, pois, aos poucos, seu relógio e sua bússola internos vão se ajustando.

“É como o jet lag, a gente leva uns dias para se adaptar”, diz Ronald.
Atualmente, além de transportadores de mensagens e encomendas, os pombos-correio são usados em competições chamadas columbofilia. Esses torneios mostram que é muito difícil definir a distância máxima que esses animais conseguem percorrer no caminho de volta para seu abrigo. “Há uma prova na Europa em que eles partem de Barcelona e chegam à Bélgica, percorrendo quase mil quilômetros. No Brasil, há uma em que saem de Brasília e chegam a São Paulo, ou seja, são mais de 900 quilômetros e tem pombo que voltou no mesmo dia. Alguns deles voam direto, sem paradas.

Outros até param para beber água, por exemplo, depende da condição de cada um”. E muitos deles não voltam: ou porque se perdem, ou porque são capturados por predadores, como o gavião.

Além dos pombos, outros animais também possuem essa capacidade. “Praticamente todos eles conseguem encontrar o caminho de volta para casa, em maior ou menor grau”, diz Ronald. “As abelhas fazem isso o tempo todo. Os gatos também conseguem. Se o seu dono tenta abandoná-lo levando-o para longe, depois de alguns dias ou semanas ele estará de volta em casa.

Foi feita uma experiência com albatrozes no sul do Havaí, levando-os para regiões como Califórnia, Alaska e Japão, e a maioria retornou, de distância de 3 mil até 6 mil quilômetros”.

De fato a evolução do pombo correio pros dias de hoje são os e-mails, mensagens de texto via celular, via facebook, entre outros meios. Graças a tecnologia não precisamos mais usar os animais, basta ligar o computador ou celular.

28 respostas em “A história do Pombo-correio

    • O pombo-correio é uma variedade domesticada do pombo-comum ou pombo-das-rochas. Foi escolhido porque, como todo pombo retorna geralmente a seu próprio ninho e a sua própria mãe, era relativamente fácil produzir seletivamente os pássaros que encontravam repetidamente o caminho de volta em longas distâncias.
      Os pombos-correios foram usados para carregar mensagens escritas em papel claro fino (tal como o papel de cigarro) em um tubo pequeno unido a um pé; por isso o nome de pombo-correio.
      Atualmente os pombos são utilizados para fins desportivos (columbódromos e campeonatos), concursos e exposições.

      Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pombo-correio

  1. Os pombos-correios foram usados para carregar mensagens escritas em papel claro fino (tal como o papel de cigarro) em um tubo pequeno unido a um pé; por isso o nome de pombo-correio.
    Atualmente os pombos são utilizados para fins desportivos (columbódromos e campeonatos), concursos e exposições.

  2. (Columba livia).
    Essa é a espécie responsável por uma das grandes inovações e porque não, inusitadas e útil utilização de animais na comunicação. A capacidade biológica dessa espécie se orientar no espaço, aliado ao conhecimento humano foi o necessário para colaborar com a necessidade humana de se comunicar.

    • Deixo mais um adendo ao comentário.
      Não consegui visualizar o texto, apenas comentei o que já conheço sobre a história dos pombos-correio.

  3. Acredito que a História do pombo-correio, foi, o princípio do desenvolvimento de todos os tipos de envios de mensagens, porém creio que nem todas as mensagens deveriam chegar ao seu destino final.

    • Muito interessante saber que um pombo, treinado durante seus primeiros dias de vida, possa entender através da luz solar, pelo período do dia e principalmente por sua memória. Hoje, o envio de mensagens por pombos correios, muito utilizado nas guerras, se tornou totalmente ultrapassado dando lugar aos emails, mensagens por torpedos, ou até mesmo por simples ligações.

  4. Acredito que o pombo correio era pra época a maneira mais prática de se mandar uma carta,ou uma mensagem em um pedaço de papel,que ia amarrado nas patas do pássaro,o problema é saber se o pombo chegava ao seu destino,o que devia ser bem complicado.

    • Interessante saber que o pombo-correio foi utilizado nas guerras mundiais,mas porque este modo de envio,se pra época já existia algumas invenções que eram de melhor utilidade?complicado de se responder.
      E saber que em alguns lugares esse modo ainda é usado,torna o assunto mais intrigante,porque passa na frente de muita tecnologia disponível…

  5. Acredita-se que o pombo correio era treinado para levar mensagens através dos ares, hoje (apesar de nunca ter visto) são utilizados para outros fins.

    • O pombo-correio é treinado desde que aprende a voar, com isso ele é preparado para transmitir mensagens desde cedo.
      O único ponto negativo, é que algumas mensagens não chegam, pois um outro animal não permite, o gavião, um predador dos pombos que os assassina antes de chegar ao destino.

    • Ficou claro que o pombo-correio é solto em um local de partida para retornar ao seu local de origem (pombal). E mais, está bem explicito o motivo deste comportamento, o que não deixa encalço para dúvidas.
      E também chama a atenção sobre sua capacidade de voo que vareia de acordo com a própria resistência, aspecto considerável para competição de columbofilia. Surpreendeu-me o fato de hoje haver esse tipo de habilidade esportiva. Ou até mesmo por cumprirem a tarefa de serem transportadores de mensagens e encomendas.
      Está relatado sobre a pesquisa de laboratório que explica sua estrutura genética e o fator que o habilita para tal função. E a fonte presente da credibilidade ao texto, portanto concluo que o mesmo está coerente e satisfatório ao tema proposto.

  6. Muito curioso esses dados sobre o Pombo-correio. É o homem usando até as habilidades de um animal para se comunicar. Deve ter sido descoberto através da observação mesmo. Interessante.

  7. O pombo correio quando utilizado na época era uma maneira muito importante e inteligente de se comunicar,pois eles levam as mensagens para seu destino e retornava para a casa.Geralmente chegava com exito.
    Hoje em dia ele é mais usado para competições, mas eu conheço um senhor que tem compete e usa eles como antigamente também por gosto.

  8. O pombo correio foi um meio de comunicação muito importante, porque era a forma mais prática e rápida que as pessoas usavam para mandar recados a distância, as mensagens geralmente chegam ao seus destinos com sucesso, pois os pombos eram treinados para fazer entregas.

  9. complicado o adestramento e também eles podem assim como o falcão, não mais voltar seguir o rumo do vento, até hoje existem os pombos mensageiros!não tinha conhecimento disso,sabia da sua utilidade durante a guerra mas desconhecia sobre o transporte de material para exame, assim a tecnologia surgiu para que estes animais não serem mais utilizados.

  10. O assunto que o trabalho trabalho aborda é de curiosidade geral e ainda hoje gera muitas dúvidas. Foi bem explicado, mas ainda restam dúvidas como: onde surgiu essa ideia de usa-los como meio de enviar mensagens, quando começou, a partir de que momento as habilidades deles foram sendo aprimoradas e por quem.

  11. Pombo correio ajudou muito a comunicação no passado, onde não se tinham opções para manter contato com outros povos, e pessoas em lugares diferentes. O trabalho foi esclarecedor e bem direto na explicação do processo de treinamento da ave, mas apesar de ter sido muito utilizado no passado, esse meio de comunicação me deixa em dúvidas quanto a sua eficácia ,e com certeza agora na nossa realidade comparando -a a outra mídias. Mas deixa claro a necessidade do ser humano em se comunicar e buscar meios para tal.

  12. O pombo-correio eram pombos comuns como os de hoje em dia, mas na época eram levados de seu local de origem até seu ponto de partida, fazendo assim com que o pombo retorne ao lugar de onde saiu. Um assunto que até hoje gera muitas dúvidas, e que pode ser exclarecido através desse trabalho.

  13. A forma de abordagem sobre o assunto está de fácil entendimento, e são citadas curiosidades bastante interessantes e esclarecedoras. Só que ainda restou a curiosidade quanto à dados mais precisos sobre o surgimento da ideia de sua utilização.

  14. assim como os falcões ou aguias mesmo treinados, os pombos-correio, estes mesmo treinados podem tomar o rumo do vento e ir embora não retornando ou nem mesmo chegando ao seu destino da mensagem, mas era uma das poucas alternativas de se levar um pouco mais rápido a mensagem do que a cavalo ou um mensageiro apé.

  15. O trabalho explica muito bem como funcionava este método, mas senti falta de informações sobre a história do pombo-correio e de como e quando surgiu. Até então eu não sabia muita coisa sobre esse meio de comunicação, como o texto pude entender melhor o processo. No meu ponto de vista não é um veículo seguro, pois a chance de haver ruídos é grande, e a mensagem pode não ser enviada ao seu destino.

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